Em um tempo de tempestades e tremores, do abismo virão carruagens de fogo. Viajaremos em cometas prateados. Vamos deixar nossa casa para visitar parentes distantes e, quem sabe, um dia voltar a dormir sobre estas estrelas.
Filmes de ficção cientifica podem, algumas vezes, ser uma grandessíssima besteira, como todos nós sabemos, porem com uma historia consistente e bem elaborada, abordando temas relevantes, este gênero pode ser muito bem explorado.
Gattaca descreve um futuro onde a manipulação genética afeta a sociedade como um todo, dividindo as pessoas nascidas por meios artificiais, com uma genética quase perfeita, das pessoas nascidas naturalmente (os filhos de Deus), com a genética exposta ao acaso (genes impuros). Esta divisão cria um conflito entre classes, sendo que os inferiores geneticamente só poderiam exercer atividades humilhantes.
Nos dias atuais, onde temas biológicos estão em alta, recomendo assistirem este filme para que tenham uma impressão sobre o quanto à ciência pode modificar a face de nosso planeta.
Um livro que deixou marcas em minha alma foi Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Fascinante leitura sobre um provável futuro da humanidade, sendo formada por classes preestabelecidas de operários, cientistas, etc. Uma humanidade sem muita diversidade de pensamento, sem variedade cultural e artística: musica, pintura, literatura. Todos já sabendo seu lugar, por meio de condicionamento mental.
Pessoalmente, prefiro o caos de nossa sociedade; pelo menos podemos ter certa liberdade de expressão e sentir, na pele, toda criatividade humana.
Augusto dos Anjos era um poeta que não podia ser rotulado. Sua poesia maldita, que viaja por um mundo diferente e sombrio, tem os moldes formais do parnasianismo/ simbolismo e a essência do modernismo.
São raros os poetas que criam algo realmente original e não seguem, como gado, a corrente vigente de seu tempo. Augusto dos Anjos estava à frente de seu tempo e se em sua época foi muito criticado hoje é muito admirado.
PSICOLOGIA DE UM VENCIDO
Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênese da infância, A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância... Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme -- este operário das ruínas -- Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra!